Kronos e Réia tiveram seis filhos: Deméter, Héstia, Poseidon, Hades, Hera e Zeus. Mas Kronos se tornou perverso, engolindo os filhos quando nasciam, devido à profecia feita por seu pai, que um deles também o destronaria. Diante da dor de perder seu último filho, Réia entrega a Kronos uma pedra enrolada no cobertor. Sem notar, ele engole a pedra. Réia escondeu Zeus numa gruta aos cuidados de Gaia, onde ele foi criado até se tornar adulto, sendo amamentado pela cabra Amaltéia.
Ao se tornar adulto, Zeus retornou para tomar posse do trono de seu pai. Dando a Cronos uma poção mágica, o fêz vomitar todos os filhos engolidos. Assim Zeus fêz renascer seus irmãos e assumiu o poder se tornando o rei dos deuses, criador do mundo e soberano dos homens, criando uma nova hierarquia de deuses. Agradecidos pela lição de responsabilidade e generosidade de Amaltéia, os deuses a transformaram na constelação de Capricórnio.
O mito de Kronos nos remete à compreensão do tempo e das limitações da vida mortal. Nada pode ir além do âmbito da própria vida e nada permanece inalterado. Kronos é o deus que encarna o sentido do tempo mas também se rebela contra ele. E por isso foi destronado e humilhado, aprendendo assim no silêncio da própria dor.
Kronos representa o corpo, que envelhece de forma inexorável e ao mesmo tempo se rebela contra seu destino fatal. A aceitação da própria condição é também, de uma forma misteriosa, a separação dos pais e da infância, porque significa sacrificar a fantasia de que em alguma época, de um lugar, virá alguém como num passe de mágica, transformar a nossa vida em um aconchego eterno.
“Viver feliz para sempre” não existe no mundo de Kronos. A juventude cede lugar à maturidade e jamais poderá ser reconquistada de maneira concreta. Entretanto as lembranças e a sabedoria é algo a ser destilado com o tempo. O tempo consome tudo e também envelhece, pede renovação, evolui, muda.
Na sociedade atual temos vários arquétipos de pai. Um dos mais marcantes é o do pai autoritário. A castração do filho impede que ele tenha mais poder que o pai; a castração do pai faz com que o filho queira tomar o poder. A repressão e a competição masculina têm gerado ao longo do tempo complexos paternos que nos fazem refletir por que o velho tem medo do novo; por que os pais autoritários e devoradores têm medo de perder o controle; por que castram, reprimem e maltratam os próprios filhos. Todo pai deveria saber que o lugar que ocupa é temporário, que o filho é seu sucessor, como ele foi do seu pai.
O novo sucede o velho na ordem do mundo. Que as novas gerações desse novo século tragam pais fortes, mas que confiem na sua capacidade geradora. Que reconheçam a energia e o talento da juventude e valorizem seus filhos. E que os filhos valorizem seus pais, que lhe permitiram existir e se tornar os seus sucessores.
O aspecto negativo de Kronos é a sua feroz resistência às mudanças e à passagem do tempo. O lado positivo é saber mudar aquilo que podemos mudar; aceitar o que não podemos alterar; e esperar em silêncio até que o tempo nos mostre, a diferença entre as duas coisas.
Fonte: Evento e Mitologia Grega
Khronos (ou Chronus) era o protogeno (deus primordial) do tempo a divindade que emergiu auto-formado no início da criação na cosmogonia Órfica.
Khronos era imaginado como um deus incorpóreo, em forma serpenteada, com três cabeças – uma de Homem, uma de Touro e uma de Leão. Ele e sua consorte, serpenteada Ananke (Inevitabilidade), circularam o ovo do mundo primitivo em suas caudas e dividiram em partes para formar o universo em ordem: a terra, mar e céu. Khronos e Ananke continuaram a circular os cosmos depois da sua criação passando a guiar o ciclo do céu e a eterna passagem do tempo.
A figura de Khronos era essencialmente uma duplicação cosmológica do Titã Kronos (também “Pai do Tempo). Os orficos ocasionalmente combinaram Khronos com seu deus-criador Phanes, e identificaram-no como Ophion. Seu equivalente na cosmogonia Fenícia foi provavelmente Olam (Tempo eterno), ou Oulomos, como seu nome aparece nas transcrições gregas.
Khronos foi representado nos mosaicos grego-romanos como Aion “eternidade” personificada. Ele está entre o céu segurando uma roda de inscritos com os signos do zodíaco. Sob seus pés Gaia (Mãe Terra) é vista geralmente reclinada. O poeta Nonnus descreve Aion como um homem velho de cabelos e barba branca comprida. Nos mosaicos, no entanto apresenta uma figura juvenil.
Nome Grego Transliteração Pronuncia em Latim Tradução
?????? Khronos Chronus Tempo
PAIS
[1.1] HYDROS & GAIA (Fragmentos Orficos 54 e 57)
[2.1] NENHUM (ele emergiu na criação) (Dionisiaca de Nonnus 7.7 e 12.34)
FILHOS
[1.1] KHAOS, AITHER, PHANES (com ANANKE) (Argonautica Orfica 12)
[1.2] KHAOS, AITHER, EREBOS (com ANANKE) formando PHANES & o ovo do mundo (Fragmentos Orficos 54)
[1.3] KHAOS, AITHER (Rapsodias Orficas 66)
[1.4] Formaram o ovo do mundo sem AITHER (contendo GAIA & OURANOS) (Rapsódias orficas 66, fragmentos orficos 54 e 57, fragmentos Epicuros)
[2.1] HEMERA (com NYX) Fragmentos Bacchylides 7)
[3.1] AS MOIRAS (com NYX) (Tzetzes em Lycophron)
[4.1] AS DOZE HORAS (Dionisiaca de Nonnus 12.15)
Nomes Alternativos & Pronuncia em Latim
Nome Grego Transliteração Pronuncia em Latim Tradução
?????? Khronos Chronus Porção do tempo *
?????? Kronos Cronus Porção do tempo
???? Aiôn Aeon Era, Eternidade
????? Poros Porus Invenção, Passagem
* A palavra grega Khronos fala de uma parcela indeterminada de tempo, em contraste com Hora, uma parcela fixa.

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